Foi naquele 13 de abril salpicado por uma fina e gelada garoa.
Na noite anterior eu havia semeado aquelas idéias que, como num passe de mágica digno do conto de "João e o pé de feijão" haviam crescido e tomado conta da minha cabeça. Metade de mim negava veementemente que algo poderia acontecer, enquanto um outro lado gritava que ali era a minha grande chance de começar alguma coisa.
Comprei um presente razoável. Uma colônia que minha mãe havia me pedido. Como não sabia escolher perfumes femininos arrisquei aquele que minha mãe gostaria de ter, talvez ajudasse. Lembro-me que gastei quase todo o restante das minhas economias pessoais. Mas iria valer a pena, não é mesmo?
Tomei um banho demorado, passei um perfume discreto (odeio sair por aí fedendo colônia), peguei meu presente e fui.
Mas fui pra onde?
Com toda aquela agitação acabei esquecendo de perguntar aonde seria a festa.. Droga! Antes de sair do portão de casa voltei, bati minha testa contra a porta.
"Ótimo seu idiota, agora você não tem nenhuma chance mesmo"
Liguei pro Renato que, obviamente não atendeu, porque estava na festa. Juninho, idem. Alberto. Carlos.. nunca iria conseguir, já que garotos costumam chegar o mais cedo possível. Não tem todo aquele negócio de arrumar cabelo, passar horas escolhendo roupas ou fazendo maquiagem (apesar de que hoje em dia isso já é muito comum).
E agora?
Sentei na minha cama ainda com a roupa separada para o dia D. tinha tirado os sapatos, senão seria engolido vivo pela minha mãe. Fiquei ali, em transe por um bom tempo. Depois peguei um livro. Desisti no primeiro parágrafo. A tarefa de matemática não rendeu.
Eram 9:45. Decidi procurar o telefone da casa dela. Tinha certeza que tinha pego no meio de uma de Química. Isomeria. Só precisei dela pra achar o telefone da Ju. Deveria estar em alguma folha de exercícios. E, sim, lá estava ela, com o telefone escrito no pé da folha.
Peguei o fone do lado da cômoda e disquei.
- Alô.
- Alô, quem fala?
- Carlos Júnior, com quem deseja falar? - a voz soava familiar.
- É da casa da Juliana? É que eu tive um imprevisto e não pude ir no aniversário dela. Se eu pudesse ao menos entregar o presente..
- Bem.. ainda tem alguns poucos amigos dela aqui, mas acho melhor se apressar, senão não vai conseguir passar pela portaria.
- Ok, muito obrigado senhor Carlos.
- Por nada, Tom.
Tom? Um arrepio subiu pela minha espinha.

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