quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Who Feels Love [#1]



         Quando você se pega pensando em uma pessoa sem porquê. Você passa a procurar saber todo e qualquer detalhe da vida do outro, sobre a família, sobre os amigos que tem, como se comporta diante determinadas situações, como age ao falar sobre determinados assuntos, quais as qualidades, quais os defeitos, o que ela sente. Mais especificamente, o que ela sente por você.

         Lembro-me bem do que aconteceu quando estava cursando meu ensino médio (na época ainda conhecido como segundo grau), uma situação que vocês, caros leitores podem achar ser inútil em suas vidas, mas que com certeza marcou profundamente a minha e mudaram minhas perspectivas quanto aos meus relacionamentos.

         Naquela época ainda não tinha um físico decente, estaria no grupo dos semi-gordos, como um amigo meu costumava falar. Um semi-gordo é uma pessoa que não se define como gorda, mas que está a dois passos da condição. Atualmente, calculo que boa parte da população urbana se encaixe nesse setor, comumente alcançado por aqueles que preferem o sedentarismo às atividades físicas. Uma boa barra de chocolate a uma maçã. (Ok, chocolate é supremo, não há como preferir outra coisa a chocolate, a não ser chocolate meio-amargo). Voltando à minha descrição, não tinha também um corte de cabelo que me destacasse dos demais. Tentei deixar o cabelo crescer, mas fui duramente repreendido por meus pais, que afirmavam que cabelo grande era coisa de moleque à toa, aqui chamados de maloqueiros, agora conhecidos também como vileiros, - termo que me faz analogamente lembrar aquelas dancinhas ridículas do Village People da década de 70 ou 80. - Meu rosto em nada se destacava. Era um garoto comum, como qualquer outro. Tinha algumas amizades aqui e ali, alguns pares de inimigos, mas nada preocupante. 

         Naquele ano havia sido colocado em uma turma totalmente diferente do ano anterior. Tinha pouco contato com aquelas pessoas, mas não foi difícil se aproximar e formar um novo círculo de amizades. Éramos sete. Eu, três outros garotos e três garotas. Vínhamos nos encontrando frequentemente nos intervalos e fora do colégio. Segundo Renato, Juliana, uma das sete e com quem eu pouco conversava, faria aniversário na próxima semana. Surgiram boatos que tínhamos algo em comum, a bendita química dos romances que diferentemente daquela lecionada pelo Prof. Júnior dava prazer em ser estudada, e que parece ser muito mais útil do que a matéria em si.

         Até aquele ponto da minha vida não tinha tido nenhum outro relacionamento. Não que eu fosse extremamente feio, mas tinha dificuldades em me aproximar. Mantinha um certo trauma (que explico em outra oportunidade, e que tira toda a falsa impressão de ser pusilânime nessas decisões, mas com um real e amedrontador passado que impedia que tudo funcionasse de acordo com o que era normal entre os garotos naquela idade) que dificultava meus pequenos romances. Tive várias paixõezinhas estudantis aqui e ali. A maioria delas impossível, coisa comum. Mas amor, meus caros, tive e terei apenas um.

         As fofocas entre os cinco demais amigos aumentaram e atingiram o ápice três dias antes da data de aniversário. Depois daquela semana toda sendo importunado pelos meus amigos passei a sentir algo que não pensava em sentir. Relutava a acreditar, mas acho que comecei a me importar mais e mais com Juliana. Como se ela fosse assentir com aquela mentira. Na minha cabeça, a mentira foi quase se tornando verdade. Na noite da véspera tive algumas idéias enquanto recostava minha cabeça no travesseiro. Pensava que talvez armariam um encontro. Alguns garotos iriam me chamar lá fora e quando fosse iria encontrá-la, com os olhos fitando o chão. Talvez todos destratassem e não fossem, para deixar-nos a sós. Rapidamente desfiz todas as hipóteses. Ilusões, pensava eu. Mal a conhecia. Virei para o lado, 

          “ Impossível”

          Mas no fundo, começava a sentir alguma coisa por aquela desconhecida.


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