Cronologicamente os fatos ocorridos aqui descritos são no mínimo 8 meses após o aniversário de Juliana - Who Feels Love [#3]
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Já havia completado o ensino médio e estava com 17 anos e a cara livre pra enfrentar o mundo.
Quando terminamos essa fase da vida não sabemos ao certo o que iremos fazer. Qual caminho iremos trilhar e qual carreira seguir até ficarmos velhos e termos que ajudar nossos próprios filhos nessa escolha. Eu ainda não sabia o que queria. Sempre gostei de ficar por perto dos escritórios do meu pai, apesar disso a idéia de passar o resto da minha vida preso a um escritório me dava calafrios. Eu queria liberdade.
Era uma quarta feira de janeiro. Fui visitar Juliana, fazia algum tempo que não conversávamos. Para a minha alegria ela aceitou que fosse até a casa dela. Eu fui.
Ficamos na sala. A mãe da Ju (cujo nome ainda não lembro, portanto vou continuar chamando-na de "mãe da Ju", simplesmente) serviu algumas bolachinhas recheadas e um copo de suco. Conversamos por quase duas horas sozinhos na sala.
Normalmente teria dificuldades enormes para conversar com alguém por tanto tempo, mas parecia que com ela o tempo não passava e o assunto nunca acabava, porque ela sempre tinha um comentário inteligente e eu um sarcástico pronto, o que ela adorava, e eu também.
Falei coisas que nunca tinha falado pra mais ninguém, e acho que ela também fez o mesmo. Eu via a sinceridade e uma maturidade que jamais tinha visto nos olhos de alguém. Assim como eu ela havia sofrido as consequências de perdas, viagens.. Realmente tínhamos muito em comum.
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2
Clara era a melhor amiga de Juliana. Nunca vi uma amizade tão completa e dedicada quanto aquela. Clara trabalhava em uma loja de discos no centro. Ela adorava música e, consequentemente, o trabalho lhe dava prazer. Prazer de estar rodeada por todas aquelas músicas, a paixão da sua vida. Até o dia em que, acidentalmente, um disco raro do Roberto Carlos (que ela odiava) havia caído da capa e quebrado em uma dúzia de pedaços. Era uma edição especial, apenas 200 cópias haviam sido fabricadas. Quando souberam do incidente despediram-na na hora, apesar de ser bem quista pelo proprietário.
Clara e eu tínhamos uma grande amizade também. Fui o primeiro para quem ela ligou, aos prantos explicando o que havia acontecido.
- Eu.. eu.. fui despedida, Tom. - soluçava a garota.
- Clarinha, não fique assim. Sei muito bem que sua vida é a música, mas acredito que você tem um potencial muito maior e que vender discos não era realmente o que você queria - estava pisando em terreno inseguro - Eu acho que você tem que correr atrás do seu sonho, custe o que custar. - ela apenas assentia com a cabeça - Já sei! Amanhã mesmo vamos na rádio da cidade, meu pai tem alguns contatos por lá e eu posso indicar você.
- Você faria isso por mim? - soou quase infantil, daquelas perguntas impossíveis de se responder com um "não".
-Eu vou fazer.

Gosto muito do jeito como você conta suas historias...é um jeito simples, porém gostoso de ler!
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